Desumidificador: qual comprar e de quantos litros precisa
Compressor ou dessecante, 10 ou 20 litros, quanto gasta de luz e quando não serve para nada. Um guia sem marcas pagas.

- Para um T1–T2 com condensação, 10–12 L/dia chega na maioria dos casos; com roupa a secar dentro de casa, suba um escalão.
- Abaixo de ~15 °C (quartos sem aquecimento, caves), um dessecante extrai mais água do que um aparelho de compressor.
- Consumo: watts × horas ÷ 1000 = kWh por dia. Com o higróstato a 50–55%, o aparelho desliga sozinho e gasta menos.
NESTE GUIA
Precisa mesmo de um desumidificador?
Um desumidificador retira água do ar. Por isso trata condensação — vidros molhados de manhã, bolor em cantos frios, cheiro a mofo nos roupeiros — e pouco mais. Se a água está a entrar pela fachada, pelo telhado ou a subir do chão, o aparelho enche o depósito todos os dias sem chegar à causa.
Faz sentido quando, depois de duas semanas a arejar bem, o higrómetro continua a marcar mais de 65–70% de humidade relativa às 7h no quarto, ou quando não tem onde secar a roupa no exterior. Uma família de quatro pessoas põe cerca de 10 litros de água por dia no ar, entre respiração, cozinha, banhos e roupa. Num apartamento dos anos 70 com caixilharia de alumínio sem corte térmico, essa água acaba nos vidros e nas paredes mais frias.
A procura cresceu muito — no Aldi, +72% em 2025 —, mas comprar por impulso é o erro mais comum. Antes de gastar, confirme no diagnóstico grátis se o padrão é mesmo de condensação.
Compressor ou dessecante: qual funciona melhor no inverno português?
Os aparelhos de compressor funcionam como um frigorífico: o ar passa por uma serpentina fria, a água condensa e pinga para o depósito. Os dessecantes usam um rotor com material absorvente que capta a humidade; uma resistência aquece o rotor para o regenerar e a água é recolhida.
| Compressor | Dessecante | |
|---|---|---|
| Como funciona | serpentina fria, como um frigorífico | rotor absorvente + resistência |
| Onde rende mais | divisões acima de ~15 °C | divisões frias, abaixo de ~15 °C |
| Consumo para a mesma água | menor, em divisões amenas | maior (tem resistência) |
| Ruído | zumbido do compressor | em regra só o ventilador |
| Efeito na temperatura | aquece pouco | aquece a divisão |
| Peso | mais pesado | mais leve |
Abaixo de ~15 °C, a serpentina de um compressor fica perto do ponto de congelação: extrai pouca água e passa parte do tempo a descongelar. É por isso que, em quartos sem aquecimento que ficam nos 13–15 °C em janeiro, ou em caves, um dessecante costuma render mais, apesar de gastar mais eletricidade.
Numa sala ou num quarto que chega aos 17–18 °C, o compressor é em regra a escolha mais económica. Nos preços observados, um compressor de 10–12 L/dia encontra-se a partir de ~€90; veja os intervalos atualizados em quanto custa um desumidificador.
De quantos litros precisa? Tabela por área e por problema
A capacidade anunciada (litros por dia) não é o que o aparelho vai extrair na sua casa. É medida em laboratório, com ar quente e muito húmido; num quarto a 15 °C e 70%, o mesmo aparelho extrai bastante menos. Use a tabela como ponto de partida, não como promessa.
| Situação | Capacidade sugerida | Nota |
|---|---|---|
| Quarto ou T0 com vidros embaciados | 10 L/dia | porta fechada durante a noite |
| T1–T2 com condensação moderada | 10–12 L/dia | o caso mais comum |
| T3, ou bolor em várias divisões | 16–20 L/dia | mudar o aparelho de sítio não chega |
| Roupa a secar dentro de casa | suba um escalão | cada máquina deixa litros de água no ar |
| Cave ou r/c frio | dessecante, 10–20 L/dia | confirme antes que não é capilaridade |
Duas pessoas a dormir libertam cerca de 0,5–1 litro de água por noite. Se o aparelho recolhe muito mais do que isso num quarto onde não há roupa a secar, há outra fonte de água — e vale a pena perguntar de onde vem antes de comprar um modelo maior.
Higróstato, depósito ou drenagem contínua: o que verificar
O higróstato é a peça mais importante: deixa escolher a humidade alvo e desliga o aparelho quando a atinge. Programe 50–55%. O objetivo em casa é ficar entre 40 e 60%; abaixo de ~45%, está a gastar eletricidade sem ganho para as paredes.
- Higróstato ajustável, com a humidade visível no ecrã — sem ele, o aparelho trabalha às cegas.
- Saída para mangueira de drenagem contínua, se o vai usar todos os dias.
- Paragem automática quando o depósito enche, com aviso luminoso.
- Modo roupa, que trabalha em contínuo e com mais ventilação.
- Modo noturno, com o ruído indicado em dB na ficha técnica.
- Filtro lavável e depósito fácil de retirar sem entornar.
- Rodas e pega, se o vai mudar de divisão.
Depósito ou drenagem contínua? O depósito obriga a esvaziar uma ou duas vezes por dia nos meses húmidos; se se esquecer, o aparelho para e a humidade volta a subir. A drenagem contínua leva a água por uma mangueira até um ralo, uma banheira ou uma base de duche.
A drenagem funciona por gravidade: o ralo tem de ficar abaixo da saída do aparelho e a mangueira não pode fazer barriga para cima. Num quarto sem ralo por perto, o depósito continua a ser a solução prática.
É barulhento? Ruído e onde o colocar
O ruído vem do compressor e do ventilador. Compare os valores em dB das fichas técnicas no modo mais baixo e desconfie de valores sem indicação da distância a que foram medidos. Se o ruído o incomoda no quarto, ponha o aparelho a trabalhar ao fim do dia, com a porta fechada, e de novo de manhã, depois de arejar.
- Feche portas e janelas da divisão que quer tratar. Com a janela aberta está a secar o ar da rua.
- Coloque-o no centro da divisão ou perto da zona com bolor, a 20–30 cm de paredes e móveis, para o ar circular.
- Não o encoste a cortinas nem o tape com roupa: a entrada e a saída de ar precisam de espaço.
- Num T2, trate primeiro a divisão pior — normalmente o quarto virado a norte — e só depois mude o aparelho.
- Areje 5–10 minutos de manhã com corrente de ar, feche e volte a ligar.
Quanto gasta de eletricidade? Calcule com uma fórmula
Não precisa de confiar em promessas de consumo. Veja a potência em watts (W) na etiqueta ou na ficha técnica e faça esta conta: kWh por dia = potência (W) × horas a trabalhar ÷ 1000.
Exemplo: um aparelho de 200 W ligado 8 horas gasta 200 × 8 ÷ 1000 = 1,6 kWh por dia, ou cerca de 48 kWh num mês de 30 dias. Multiplique esse valor pelo preço do kWh ao preço da sua tarifa — está na fatura de eletricidade — e tem o custo mensal.
Com o higróstato a 55%, o aparelho liga e desliga sozinho, por isso as horas reais de trabalho são menos do que as horas em que está ligado à tomada. Um dessecante com mais potência gasta proporcionalmente mais por hora; em contrapartida, numa divisão fria, extrai água onde um compressor quase não extrai.
Se quer saber o consumo real, uma tomada com medidor de energia mostra os kWh acumulados ao fim de uma semana. É a forma mais honesta de comparar dois aparelhos na sua casa.
Quando um desumidificador não é a resposta
Há três situações em que o aparelho apenas mascara o problema:
- Humidade por capilaridade: mancha em faixa até ~1 m de altura, salitre, reboco a desfazer-se, quase sempre em r/c ou cave. A água vem do terreno e secar o ar não a trava. Veja humidade por capilaridade.
- Infiltrações: auréolas que crescem depois de chover, junto a terraços, caixilharias ou coberturas. É preciso encontrar e reparar a entrada de água — veja infiltrações.
- Fugas de canalização: manchas que não seguem o tempo, contador a rodar com as torneiras fechadas. Aqui o passo seguinte é um canalizador.
Também não compensa usar um desumidificador para compensar um aquecedor a gás ou a petróleo: ao queimar, estes libertam vapor de água para a divisão. Veja aquecedores a gás e humidade.
Antes de comprar, meça. Um higrómetro e um termómetro de infravermelhos chegam para perceber se há condensação; com os valores, a calculadora de ponto de orvalho diz-lhe se a parede está abaixo do ponto de orvalho. Há um kit com os dois aparelhos na loja, mas qualquer modelo com memória de mínimo e máximo serve. Algumas ligações no site podem ser de afiliados e estão sempre assinaladas — explicamos tudo em como ganhamos dinheiro.
Perguntas frequentes
Não faz sentido. Com a janela aberta, o aparelho tenta secar o ar da rua, que em Lisboa, em janeiro e fevereiro, anda muitas vezes nos 90–100% de humidade relativa. O depósito enche, a eletricidade gasta-se e a divisão quase não muda. Areje 5–10 minutos com corrente de ar, feche a janela e só depois ligue o desumidificador.
Não há um número fixo. Com o higróstato programado para 50–55%, o aparelho decide sozinho: trabalha enquanto a humidade está acima do alvo e desliga quando o atinge. Em dias húmidos de inverno pode trabalhar muitas horas; com tempo seco, quase nada. Se nunca desliga, ou o aparelho é pequeno para a divisão ou há outra fonte de água a entrar.
Ajuda a secar a superfície de uma parede com condensação, porque baixa a humidade do ar junto a ela. Não seca uma parede que está a receber água do terreno, da chuva ou de um cano: a água continua a chegar mais depressa do que o aparelho a retira. Nesses casos trata-se primeiro a causa; o desumidificador pode depois acelerar a secagem dos rebocos novos.
Na maioria das casas, não. No verão as paredes aquecem, as janelas ficam abertas mais tempo e a condensação quase desaparece. As exceções são caves e r/c frescos, casas com humidade alta constante junto ao rio ou ao mar, e divisões onde se seca roupa. Meça com um higrómetro: se a humidade está entre 40 e 60%, pode desligar.
Não. O desumidificador retira água, mas não renova o ar: o dióxido de carbono, os cheiros da cozinha e outros poluentes interiores continuam lá dentro. Um arejamento curto e diário, com corrente de ar, continua a ser necessário. O aparelho complementa a ventilação nos dias em que ela não chega, sobretudo à noite e quando há roupa a secar dentro de casa.
FONTES
- Física dos edifícios: ponto de orvalho (fórmula de Magnus)
- OMS — Orientações sobre humidade e bolor em espaços interiores (2009)
- Preços observados em Google.pt, cume.pt, Zaask e Habitissimo, out. 2026
- Fichas técnicas de fabricantes consultadas em lojas online, out. 2026

